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	<title>As Poderosas - O Mundo em nossas mãos &#187; tecnologia</title>
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		<title>Barbie &amp; Tecnologia</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 06:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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		<description><![CDATA[O que a Barbie tem a ver com tecnologia?
No mundo, uma nova boneca Barbie é vendida aproximadamente a cada 3 segundos. Por si só essa frase justificaria a leitura de Barbie e Ruth (288 páginas), livro sobre a história de Ruth Handler, mulher que criou a boneca Barbie e a empresa de brinquedos Mattel.
Mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que a Barbie tem a ver com tecnologia?<br />
No mundo, uma nova boneca Barbie é vendida aproximadamente a cada 3 segundos. Por si só essa frase justificaria a leitura de Barbie e Ruth (288 páginas), livro sobre a história de Ruth Handler, mulher que criou a boneca Barbie e a empresa de brinquedos Mattel.</p>
<p>Mas o que me motivou a ler o livro, o primeiro de 2010 da seção de livros do blog, foi o fato dele ser escrito por Robin Gerber. Advogada e professora de gestão na Universidade de Maryland, Gerber tem um dos melhores textos que conheço para biografias.</p>
<p>Ela também é autora de Katharine Graham: The Leadership Journey of an American Icon, livro sobre outra mulher que se destacou no mundo empresarial, Katharine Graham, que foi proprietária do jornal Washington Post.</p>
<p>Ao ler Barbie e Ruth, a impressão é de estar assistindo a um programa de TV sobre grandes personalidades. Gerber é cuidadosa nas aberturas e nos fechamentos dos capítulos.</p>
<p><strong>Segura a leitura.</strong></p>
<p>Porém, nem precisava desse motivo para ler o livro. Barbie é um dos mais fascinantes produtos de massa e versa também sobre apropriação de tecnologias por parte de empresas (não são somente pessoas que dão a tecnologias novos usos que nem seus inventores imaginavam).<br />
No caso, a Barbie foi um dos primeiros brinquedos a utilizar a tecnologia de PVC. Nos anos 40 e 50, ninguém imaginava utilizar PVC e o seu processo de moldagem para um uso comercial mais amplo. Na época, o material era utilizado para fazer bolas de golfe e saltos de sapato.</p>
<p>PVC era visto como uma mistura de borracha e metal, e trazer essa tecnologia para o mundo dos brinquedos foi revolucionário na época.</p>
<p>Para criar a boneca de aparência incomum (na época, as bonecas tinham aparência de bebê), com detalhes como unhas e sobrancelhas, era necessário usar um tipo de material especial. E o PVC se mostrou o ideal. Mas até chegar a essa conclusão foram mais de 3 anos de experimentos com moldagens e outros processos de produção.</p>
<p>Houve ainda o processo de produção e costura das roupas da Barbie, que eram minúsculas. A Mattel foi obrigada a &#8216;abrir&#8217; o seu projeto e buscar a tecnologia para manufatura das roupas no Japão, que, mesmo assim, precisou ser aperfeiçoada.</p>
<p>Enfim, a Barbie é resultado de um longo período de amadurecimento e experimentação de tecnologias.</p>
<p>Do ponto de vista de gestão, por meio da Barbie, a Mattel foi uma das primeiras empresas de brinquedos a perceber o quanto é possível tirar vantagens do pós-venda. A principal fonte de receita da Mattel com a Barbie não vem da venda da boneca em si, mas de licenciamento e principalmente das milhares de coleções de roupas e apetrechos que são vendidos depois.</p>
<p>Do ponto de vista de comunicação, foi a primeira voltada para área infantil a ter uma estratégia de marketing focada em TV, mídia que, nos anos 50, estava apenas começando nos EUA, mas que Ruth Handler acreditou que tinha potencial.</p>
<p>O pioneirismo valeu a pena. Com pequenas inserções em programas infantis da ABC, as vendas da boneca triplicaram, o que fez a empresa perder o controle de sua demanda.<br />
Além disso, com a Barbie, a Mattel foi a primeira empresa de brinquedos a focar a sua mensagem publicitária nas crianças, os verdadeiros tomadores de decisão na hora de comprar um produto, e não nos pais que, na época, acreditava-se que &#8216;controlavam&#8217; o dinheiro.</p>
<p>Em questão de tempo, a Barbie se tornou um &#8216;vício&#8217;, conforme foi rotulado pelo NYTimes. Mas também alvo de setores mais conservadores, que não aguentavam ver as suas crianças brincando com uma boneca que era tão sexy e elegante.</p>
<p>Em relação às críticas, de criar um esteriótipo de mulher, Ruth geralmente respondia que a Barbie não era o fim do mundo, tinha um caráter até que educacional. Muitas mulheres aprenderam suas primeiras noções de moda, combinação de cores e texturas em roupas e penteados por meio da Barbie, explicou anos depois.<br />
Barbie e Ruth é um livro um pouco decepcionante na medida em que não consegue explicar por que a Barbie se tornou um ícone mundial e é pobre em pesquisa de material fotográfico. Há apenas uma foto em todo livro.</p>
<p><strong>É, antes de tudo, sobre bastidores.</strong></p>
<p>A história de Ruth, &#8216;mãe da Barbie&#8217;, começa ainda nos anos 20, filha de imigrantes judeus poloneses, que desde pequena mantinha um espírito competitivo e de independência, que serviu de combustível para fundar, ao lado de seu marido, a Mattel em 1945.</p>
<p>A da Barbie começa nos anos 50, quando em uma viagem à Alemanha, Ruth conhece e compra uma boneca chamada Bild Lilli, que serviu de inspiração para fazer um brinquedo quase idêntico, mas com aparência mais adulta e versátil  – &#8216;da forma como as meninas queriam ser quando crescerem&#8217;.</p>
<p>Uma boneca que poderia ser ao mesmo tempo atleta, estudante, piloto da Força Aérea e candidata à presidência. O que sempre fez parte da estratégia, a Barbie ser várias coisas ao mesmo tempo. &#8216;Nós, garotas, podemos fazer qualquer coisa&#8217;, dizia o slogan de campanha da boneca no começo dos anos 80.</p>
<p>O nome Barbie veio da filha de Ruth, Barbara Handler, e Ken, o namorado da Barbie, lançado pouco depois, de seu filho, Ken Handler (Ruth tinha mania de colocar o nome de seus familares nos produtos que a Mattel lançava).<br />
Em sua característica de escancarar os bastidores, Barbie e Ruth começa na fundação da empresa, passeia pela luta de Ruth contra o câncer, pela fase em que a Mattel entrou em crise, nos anos 70; Ruth foi afastada da empresa e acusada de falsificar documentos contábeis, o que lhe rendeu uma condenação e a obrigação de prestar serviços comunitários (nessa parte, o livro assume um ritmo de trailer policial).</p>
<p>O livro chega até a morte da empresária, devido ao câncer de mama em 2002. Antes, para em 1994, no golpe mais duro na vida de Ruth, a morte de seu filho Ken, que faleceu devido a complicações decorrentes da AIDS. Ken era homossexual, o que ele veio a admitir somente meses antes de sua morte.</p>
<p>Por ironia do destino, antes de assumir sua opção sexual, Ken, o boneco, já era associado à homossexualidade por parte da comunidade gay nos EUA.</p>
<p>Por todos esses detalhes, a vida de Ruth e a sua principal criação, a Barbie, dariam um filme. Houve uma tentativa nos anos 80, mas a ideia naufragou.</p>
<p>Com ou sem filme, o livro de Berger nos desperta para o detalhe de que, por trás de todo objeto que faz parte de nosso dia-a-dia, existe toda uma história, não somente de criação, mas de pesquisa, amadurecimento e apropriação de tecnologia e ideias que a gente nem imagina.</p>
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